domingo, 3 de julho de 2011

EUROPEUS DESCOBREM O QUASAR MAIS ANTIGO DO UNIVERSO ( Descobertas Astronômicas Recentes )

29/06/2011 - 15h14

Europeus descobrem o quasar mais antigo do Universo


DA EFE
Astrônomos europeus descobriram o quasar mais antigo visto até o momento a partir das observações realizadas com telescópios --entre eles, o de longo alcance do ESO (sigla em inglês de Observatório Austral Europeu), no Chile.
Segundo os resultados do estudo, trata-se do objeto mais luminoso encontrado até agora no Universo primordial --a fase correspondente à "infância do Cosmos"--, que é alimentado por um buraco negro com 2 bilhões de vezes a massa do Sol.
"Este quasar é uma evidência vital do Universo primordial. É um objeto muito raro que vai nos ajudar a entender como cresceram os buracos negros supermassivos em poucas centenas de milhões de anos depois do Big Bang", disse Stephen Warren, líder da equipe de astrônomos.
A luz do quasar, chamado ULAS J1120+0641, demorou 12,9 bilhões de anos para chegar aos telescópios da Terra. Por esta razão, é visto como era quando o Universo tinha apenas 770 milhões de anos.

M. Kornmesser/Divulgação ESO
Ilustração do quasar que possui, estimam cientistas, buraco negro com 2 bilhões de vezes a massa do Sol
Ilustração do quasar que possui, estimam cientistas, buraco negro com 2 bilhões de vezes a massa do Sol
Anteriormente já se tinha confirmado a existência de objetos ainda mais distantes, mas o quasar recém-descoberto é centenas de vezes mais brilhante que os anteriores.
"Demoramos cinco anos para encontrar este objeto", afirmou Bram Venemans, um dos autores do estudo, em referência ao achado.
"Encontrar este objeto envolveu uma busca minuciosa, mas o esforço valeu a pena para poder desvendar alguns dos mistérios do Universo primitivo", acrescentou.
O brilho dos quasares, dos quais se acredita que sejam de galáxias distantes muito luminosas alimentadas por um buraco negro supermassivo em seu centro, podem ajudar a desvendar a época em que foram formadas as primeiras estrelas e galáxias. 

FONTE: Folha.com/Ciência

sábado, 2 de julho de 2011

SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS DESPROTEGIDOS SIGNIFICAM HISTÓRIA AMEAÇADA ( Arqueologia )

Sítios desprotegidos significam história ameaçada

Conforme o último levantamento feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1998, existem 12.517 sítios arqueológicos em todo o território nacional. Hoje, acredita-se que esse número já tenha saltado para 20 mil. Entretanto, no quadro desse órgão federal, vinculado ao Ministério da Cultura e responsável por identificar, conservar, explorar e restaurar todos os sítios arqueológicos brasileiros, há somente seis arqueólogos: quatro lotados no Rio de Janeiro, um em Brasília e outro em Santa Catarina
(clique para ver a imagem ampliada)

Mapa da localização dos sítios arqueológicos já
pesquisados no Brasil.
Fonte: Sítio Arqueológico Lagoa
A falta de estrutura e os impasses na operacionalização são, hoje, o maior obstáculo para a preservação dos sítios arqueológicos no país. Segundo o arqueólogo Rossano Lopes Bastos, consultor na área de arqueologia do Iphan, do ponto de vista normativo e legal sobre a proteção e preservação dos sítios arqueológicos, o Brasil é um dos mais avançados em nível mundial. "Obtivemos avanços extraordinários. Durante a década de 80, o maior depredador era o próprio Estado, fazendo rodovias e hidrelétricas sem qualquer levantamento arqueológico. Há 20 anos, parar um empreendimento por conta de descoberta arqueológica era até um risco de integridade física", comenta o arqueólogo.
Bastos já foi coordenador de arqueologia do Departamento de Proteção do Iphan. Ele mesmo afirma que esses avanços na legislação, como a Portaria 230, instituída em dezembro de 2002, estabelecendo a exigência de estudos criteriosos de impacto arqueológico nas três fases da licença ambiental (prévia, de instalação e de operacionalização), dificilmente poderão ser praticados com a atual número de profissionais do Iphan. "Mas, o Instituto está passando por significativas mudanças na gestão e a expectativa é de melhora", diz.
Sob o benefício da Lei 3.924 (26/07/1961), todos os sítios são considerados bens patrimoniais da União e, supostamente, contam com proteção especial. O tombamento, entretanto, reforça essa proteção e impede a destruição ou descaracterização dos sítios arqueológicos de grande interesse para a preservação da memória coletiva.
Entre os 20 mil sítios arqueológicos do país somente seis são tombados: Sambaqui do Pindaí, em São Luís, no Maranhão; Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, no Piauí; Inscrições Pré-Históricas do Rio Ingá, no município de Ingá, na Paraíba; Sambaqui da Barra do Rio Itapitangui, em Cananéia, São Paulo; Lapa da Cerca Grande, em Matozinhos, Minas Gerais; e a Ilha do Campeche, em Florianópolis, Santa Catarina.
Conforme afirma Rossano Bastos, em cada região, os sítios possuem características peculiares que dão "relevância" e "significado" arqueológico importantes em nível nacional ou até mundial. Essa importância é definida pela descoberta de materiais de ocorrência única ou que colaboram com o avanço das ciências arqueológicas. Portanto, a destruição dos sítios arqueológicos, em qualquer região, significa uma perda para a própria história do povo brasileiro e das Américas.
Em geral, as descobertas na região Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste têm contribuído ao esclarecimento dos detalhes da história do povoamento do continente americano. Na região Sul, os sítios conservam conhecimentos dos recursos naturais marinhos brasileiros. Na Amazônia, manifestações simbólicas, como as inscrições rupestres e as cerâmicas policromadas, ganham destaque nas descobertas, que se concentram especialmente ao longo dos rios.
O arqueólogo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), André Prous, também destaca a falta de estrutura de fiscalização do Iphan como uma dificuldade para garantir a preservação dos sítios arqueológicos. "Em Minas Gerais, o Iphan não possui nenhum arqueólogo em seu quadro; existem somente arquitetos e historiadores. Quando há necessidade de vistoria na área arqueológica os pesquisadores da UFMG são chamados", comenta.
A região de Lapa Vermelha, no município de Lagoa Santa, a cerca de 40 quilômetros da capital de Minas Gerais, atualmente é considerada como um dos mais importantes sítios arqueológicos do continente americano. Lá foi encontrado o fóssil humano de cerca de onze mil anos conhecido como "Luzia", que aponta para novas teorias da evolução e ocupação do homem nas Américas. (link texto zarias)
Lapa Vermelha possui mais de uma centena de sítios arqueológicos registrados pelo Iphan e potencial constante de novas descobertas. Mas, conforme explica Prous, alguns sítios arqueológicos da região já foram destruídos pelo turismo descontrolado; outros dependem da conscientização dos proprietários.

Amazônia
Fato semelhante acontece na região amazônica, especialmente no arquipélago do Marajó, no estado do Pará. "Lá, há anos famílias proprietárias de fazendas com sítios arqueológicos sobrevivem da retirada e venda de peças. Em alguns casos a situação é gritante", afirma a arqueóloga do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Edithe Pereira. Para ela, os principais entraves para garantir a preservação dos sítios arqueológicos na Amazônia são a distância e a dificuldade de acesso para fiscalização.
Donos de fazenda têm coleções particulares ou fazem o contrabando das peças de cerâmica marajoara diretamente para clientes que chegam em aviões. Essas informações são empíricas. As atividades são absolutamente clandestinas. "Às vezes, ficamos sabendo de peças somente depois, por fotos", lamenta ela.
Além disso, os povos antigos da região do Marajó construíam tesos (elevações do terreno) para fugir das inundações, o que facilita a localização dos sítios por qualquer pessoa sem especialidade na área. "Muitas vezes, a destruição dos sítios arqueológicos acontece por puro desconhecimento da população em geral sobre a importância das peças e das informações elas contêm", comenta a arqueóloga.
No município de Monte Alegre, também no Pará, depois da divulgação, em nível mundial, da descoberta de inscrições rupestres de cerca de onze mil anos, o fluxo de turistas aumentou e a atividade vem acontecendo de forma totalmente descontrolada. "Muitas pinturas que estavam intactas há alguns anos, já estão riscadas, especialmente da Serra da Lua, que é o sítio mais importante da região", diz Pereira. O próprio governo do estado estaria estimulando o turismo em Monte Alegre sem manter uma política de preservação ou dar qualquer estrutura de suporte adequado para a atividade.
Os sítios arqueológicos de Monte Alegre estão dentro de um Parque Estadual, criado em novembro de 2001. Mas, até hoje, não foi publicado o edital para a elaboração do plano de manejo da área, ou seja, nenhuma medida de controle ou estudos detalhados foram realizados.

Pintura rupestre em Serra da Lua
O patrimônio arqueológico amazônico também é ameaçado pelos grandes empreendimentos privados. Em 1992, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) detonou a Gruta do Gavião, na província mineral de Serra dos Carajás, também no Pará. A gruta tinha datação comprovada em cerca de oito mil anos. Estudos posteriores constataram a existência de mais onze grutas pré-históricas na área da empresa. Numa dessas, a Gruta do Piquiá, foram descobertos ossos humanos e de animais, sementes e artefatos de cerâmica, com datação de nove mil anos. Foi na Gruta do Piquiá, também, que foi registrada a primeira ocorrência de artefatos feitos em ferro lascado no Brasil.
Segundo o pesquisador do Museu Goeldi, Marcos Magalhães, as descobertas arqueológicas na Gruta do Piquiá e nos demais sítios da Serra dos Carajás podem ser considerados até mais importantes que as feitas pela arqueóloga norte-americana Ana Roosevelt - as inscrições rupestres de Monte Alegre. A Gruta do Piquiá está exatamente na área prevista para próxima exploração da empresa.
Em Manaus, uma obra de reurbanização na praça D. Pedro II, no centro histórico da cidade, foi suspensa por tempo indeterminado com a descoberta de um conjunto de urnas funerárias. Segundo Carlos Augusto da Silva, arqueólogo do Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e responsável pelos trabalhos na praça, o sítio de Manaus fica no entorno da orla do rio Negro, onde existe terra preta arqueológica (TPA). A fertilidade desse solo é motivo de disputa entre agricultores e sua exploração indiscriminada vem causando a destruição de algumas peças arqueológicas.
Para o arqueólogo da Ufam, o fato das peças recentemente descobertas estarem intactas é uma novidade na arqueologia, já que Manaus possui mais de 300 anos de história e o material está bem no centro da cidade. Povos indígenas do Amazonas têm protestado contra a exumação das urnas, exigindo respeito com os espíritos de seus antepassados e que os objetos fiquem no local onde foram encontrados. Mas, os arqueólogos da região dizem que o material deve ser retirado e levado a um museu para ser devidamente acondicionado.
Segundo Silva, o ideal seria fazer um laboratório de visitação pública e de pesquisa, no local onde foram encontradas as peças. Mas, para isso, também seria necessário transportar as peças para um museu, mesmo que temporariamente.

Urna funerária encontrada em Manaus (AM)
Fotos: Iphan

Detalhe da urna funerária onde é possivel identificar
o cadáver de duas pessoas
Serra da Capivara
Os problemas enfrentados pela maioria dos sítios arqueológicos brasileiros não afetam os mais de 600 sítios que estão no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. Localizado em uma área de 130 mil hectares o Parque Nacional da Serra da Capivara é um exemplo de conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. Em 1991, foi consagrado patrimônio mundial pela Unesco.

A ONG Fundação Museu do Homem Americano (Fundahm) incentiva o desenvolvimento de pesquisas e conta com um laboratório de arqueologia e um centro interdisciplinar para abrigo da documentação fotográfica e filmográfica.
A superintendente regional do Iphan no Ceará e Piauí, Diva Figueiredo, afirma que a Serra da Capivara é uma das áreas mais protegidas do Brasil, pois está sob a guarda do Iphan, Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fundahm e do Ibama local, que tem poder de polícia. "Há muito tempo que não ocorrem problemas de depredação. Na década de 80, houve alguns, esporádicos", conta.

Pinturas rupestres da Serra da Capivara permitem identificar animais
que viveram na região além de antigos costumes dos habitantes da região
Fonte:Iphan
Apesar da Serra da Capivara ser considerada um modelo de preservação ambiental, Figueiredo destaca que novas dificuldades estão surgindo. "A ocupação desordenada do território para a prática da agricultura ameaça os sítios", alerta. Há ainda aqueles que criam animais de forma extensiva, extraem mel e, no período da estiagem, caçam no Parque para complementar a alimentação. Além disso, as queimadas realizadas no entorno contribuem para a perturbação de todo ecossistema.

Segundo a superintendente regional do Iphan, as exigências de estudos de impactos ambientais freqüentemente não contemplam as questões arqueológicas, apesar da legislação exigir isso. Assim, no Piauí, o Iphan, juntamente com o Ibama e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, desenvolve um trabalho preventivo contra atividades e empreendimentos de impacto arqueológico, exigindo uma prospecção prévia e um estudo de impacto sobre esses riscos. "Com o apoio do Ministério Público Estadual temos conseguido fazer um trabalho preventivo importante", conta. De acordo com Diva Figueiredo, a prospecção arqueológica em paralelo ao estudo ambiental evitaria a destruição de muitos sítios.

Chapada dos Guimarães
Na região da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, segundo o espeleólogo (profissional que estuda as cavernas) José Guilherme Aires Lima, chefe do Centro Nacional de Estudos, Proteção e Manejo de Cavernas do Ibama/MT, a grande maioria dos sítios arqueológicos não se beneficiam do Parque Nacional porque estão fora de seu território. "Na época da demarcação, já havia conhecimento da existência dos sítios, mas eles foram excluídos".
O espeleólogo afirma que, apesar de os sítios serem de difícil acesso, a falta de fiscalização incentiva a visitação dos turistas. Um dos mais conhecidos é a Lapa do Frei Canuto, um sítio de cerimonial que foi depredado com pixações.

Índio Walrás deve ajudar a desvendar
história registrada nas cavernas
Outro sítio que está fora do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães é a caverna Kamukuaká, às margens do rio Batuvi. Este é um sítio arqueológico vivo, que conta com os relatos dos descendentes indígenas para a interpretação dos materiais encontrados. Os índios Waurás estão confinados no Parque e, desde o ano passado, reivindicam o reconhecimento da área da caverna para o tombamento. Mas agora, segundo José Guilherme Lima, o sítio está sendo ameaçado pela autorização de cerca de 20 mil hectares de desmatamento para o plantio de algodão no entorno. 

FONTE: Com Ciência Arqueologia e Sítios Arqueológicos

HOMEM MODERNO JAMAIS COEXISTIU COM HOMEM ERECTUS, DIZEM ESTUDOS ( Paleoantropologia )

30/06/2011 - 01h09

Homem moderno jamais coexistiu com Homo erectus, dizem estudos


DA FRANCE PRESSE
O homem moderno jamais coexistiu com seu antepassado Homo erectus, revelam estudos.
O Homo erectus é considerado como o antepassado direto do Homo sapiens e se parece com o homem moderno em vários aspectos, mas seu cérebro era menor e o formato do crânio, diferente.
O Homo erectus foi o primeiro de nossos parentes distantes a sair da África, há 1,8 milhão de anos, e desapareceu do continente africano e de grande parte da Ásia há 500 mil anos, mas suspeitava-se de sua presença na região de Ngandong, às margens do rio Solo, na ilha de Java (Indonésia), há entre 50 mil e 35 mil anos.
Como o Homo sapiens chegou à Indonésia há 40 mil anos, acreditava-se em uma possível presença comum em Java.
As últimas datações que apoiavam esta hipótese foram realizadas em 1996, a partir de dentes de animais e restos fossilizados de hominídeos, mas havia dúvidas sobre a idade real dos fósseis.
A partir de 2004, uma equipe internacional de antropólogos, dirigida conjuntamente por Etty Indriati, da Universidade Gadjah Mada da Indonésia, e Susan Anton, da Universidade de Nova York, conduziu o projeto Solo River Terrace (SoRT), que realizou novas análises, com diferentes métodos de datação.
Os pesquisadores do SoRT concluíram que, independentemente dos métodos utilizados, os fósseis do Homo erectus eram de um período bem anterior à chegada do Homo sapiens à região.
Assim, "o Homo erectus provavelmente jamais coexistiu neste habitat com os humanos modernos", declarou Etty Indriati.
Segundo as análises do SoRT, o Homo erectus estava extinto em Java há ao menos 143 mil anos, e mais provavelmente há 550 mil anos.
Uma coexistência entre o Homo erectus e o Homo sapiens reforçaria a teoria de que o homem moderno substituiu seus ancestrais no processo de evolução.
Mas a conclusão do projeto SoRT reforça a chamada "origem multirregional", que sugere que os humanos modernos são resultado de múltiplas contribuições genéticas, de diferentes grupos de hominídeos que viveram na África, Ásia e Europa. 

FONTE: Folha.com/Ciência

ARQUEÓLOGOS ACHAM "CAIXÃO" DA FAMÍLIA QUE JULGOU JESUS CRISTO ( Arqueologia )

30/06/2011 - 07h57

Arqueólogos acham 'caixão' de família que julgou Jesus Cristo


REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE
Arqueólogos israelenses confirmaram a autenticidade de um ossuário (caixa usada para guardar ossos depois da fase inicial de sepultamento) pertencente à família do sacerdote que teria conduzido o julgamento de Jesus.
A peça, feita em pedra e decorada com motivos florais estilizados, data provavelmente do primeiro século da Era Cristã -tem, portanto, uns 2.000 anos.

Sebastian Scheiner/Associated Press
Funcionário da Autoridade Israelense de Antiguidades mostra inscrição em ossuário
Funcionário da Autoridade Israelense de Antiguidades mostra inscrição em ossuário
A inscrição no ossuário, em aramaico ("primo" do hebraico, língua do cotidiano na região durante a época de Cristo), diz: "Miriam [Maria], filha de Yeshua [Jesus], filho de Caifás, sacerdote de Maazias de Beth Imri".
O nome "Caifás" é a pista crucial, afirmam os arqueólogos Boaz Zissu, da Universidade Bar-Ilan, e Yuval Goren, da Universidade de Tel-Aviv, que estudaram a peça.
Afinal, José Caifás é o nome do sumo sacerdote do Templo de Jerusalém que, segundo os Evangelhos, participou do interrogatório que levaria à morte de Jesus junto com seu sogro, Anás.
Não se sabe se Miriam seria neta do próprio Caifás bíblico ou de algum outro membro da família sacerdotal. O ossuário, no entanto, liga a parentela à casta de Maazias, um dos 24 grupos sacerdotais que serviam no Templo.
O governo israelense diz que o ossuário estava nas mãos de traficantes de antiguidades, impedindo o estudo de seu contexto original. 

FONTE: Folha.com/Ciência

sexta-feira, 1 de julho de 2011

NAVEGAÇÃO É MAIS ANTIGA DO QUE O IMAGINADO ( Descoberta Arqueológica ) )

Navegação é mais antiga do que o imaginado


DA FRANCE PRESSE
Arqueólogos na ilha grega de Creta encontraram fortes evidências de que humanos primitivos conseguiam navegar milhares de anos antes do imaginado, anunciou o governo grego na segunda-feira.
Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos e da Grécia chegou a essa conclusão após encontrar ferramentas de pedra com no mínimo 130 mil anos de idade (e no máximo 700 mil, os métodos de datação não são muito precisos) em Creta, que naquela época já era uma ilha.
Até hoje, as evidências mais antigas de viagens em alto mar indicavam os primeiros barcos como tendo apenas 60 mil anos de idade.
Quem anunciou a descoberta foi o ministro grego da Cultura, Pavlos Geroulanos. "A pesquisa, além de provar que existiram viagens marinhas no Mediterrâneo dezenas de milhares de anos do que se sabia até hoje, também muda os conhecimentos sobre as habilidades cognitivas dos homens de então."
As ferramentas encontradas nas praias de Plakia e Preveli são atribuídas ao Homo heidelbergensis e ao Homo erectus, anteriores ao Homo sapiens, que saiu da África para se espalhar pelo mundo há 60 mil anos.
Para chegar a Creta, eles tiveram de navegar ao menos 60 quilômetros, mas não se sabe bem de onde partiram.
Antes dessa pesquisa dos arqueólogos da Escola Americana de Estudos Clássicos de Atenas, acreditava-se que a ilha de Creta só teria sido ocupada há 7.000 anos. Eles acharam as ferramentas sem querer: procuravam por resquícios dessa época. 

FONTE: Folha.com/Ciência

OS PRIMEIROS POVOADORES DO CERRADO BRASILEIRO ( Arqueologia )

Os primeiros povoadores do Cerrado
Pedro Ignácio Schmitz
O primeiro povoamento do território brasileiro, depois de anos de pesquisa e divulgação, continua assunto não esgotado. As perguntas que sempre voltam: por quem, quando e como foi feito?
Durante anos foram destaque na mídia as datas de 50.000 anos para achados de São Raimundo Nonato, no sertão do Piauí. Mais recentemente foi o caso da Luzia, a jovem mulher de 10.500 anos atrás, cujo corpo foi abandonado na beira de pequeno lago, em Lagoa Santa, Minas Gerais.
Hoje há consenso de que o território brasileiro se encontra povoado desde 9.000 anos a.C., com achados consistentes na Amazônia, no Nordeste, no Planalto Central e nas terras temperadas do Sul. Continua a discussão sobre a biologia e as feições do rosto dessa população. Se a primeira migração vinda da Ásia tinha feições negróides, como a Luzia de Lagoa Santa, como explicar que os indígenas dos milênios posteriores e os atuais têm feições mongolóides, sem resquícios daquela que seria a primeira leva? Se aceitamos esta substituição de populações, vem a pergunta de quando essa troca se teria dado. A hipótese de trabalho é que teria sido ao redor de 7.000 a 6.500 anos a.C., quando ocorreram fortes mudanças culturais no planalto brasileiro.
Outra discussão importante refere-se ao modo de vida dos pioneiros. Em nossa cultura erudita estão fortemente arraigados conceitos que se criaram no estudo dos primeiros caçadores norte-americanos, que são apresentados como pequenos bandos nômades, que teriam vagado sem rumo pelo território, caçando animais gregários, com o uso de dardos ou lanças munidas de grandes pontas de pedra, primorosamente talhadas. O modelo é claramente formado sobre populações de estepes frias com manadas de grandes animais, alguns ainda sobreviventes do último período glacial, a cujas migrações estacionais o homem se teria adaptado para sobreviver.
Mas este não é o ambiente, a que chegaram os primeiros povoadores do planalto, quente e coberto por savana tropical. Pesquisas feitas nesse ambiente, nos últimos trinta anos, no Pará, no Piauí, em Pernambuco, na Bahia, em Minas Gerais, em Goiás, no Tocantins, no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul fornecem numerosos dados para visualizar esse modo de vida nos trópicos.
(Clique para ver a imagem ampliada)

Sítios arqueológicos antigos nas savanas tropicais: 1. Alto Sucuriú, MS; 2. Serranópolis, 3. Rio do Peixe; 4. Caiapônia, 5. Uruaçu, 6. formadores do rio Tocantins, GO; 7. Rio Paraná, 8. UHE Serra da Mesa, TO; 9. Serra do Cipó, 10. Varzelândia, 11. Vale do Peruaçu, MG; 12. Serra Geral, BA; 13. Itaparica, 14. Bom Jardim, PE; 15. Rio Açu, 16. Litoral, RN; 17. São Raimundo Nonato, PI.
Um lugar privilegiado para abordar o assunto é o município de Serranópolis, no sudoeste de Goiás, onde a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (São Leopoldo, RS), junto com a Universidade Católica de Goiás (Goiânia, GO) estudaram um conjunto de aproximadamente 40 abrigos rochosos, grandes, ensolarados e limpos, com uma ocupação indígena densa e persistente, que vai de 9.000 anos a.C. até a fixação no lugar de fazendeiros brancos, no século dezoito de nossa era.
Nas espessas camadas sobrepostas desses abrigos rochosos estão bem conservados os testemunhos da ocupação milenar. São camadas densas de cinzas, carvão, restos alimentares originários da caça animal e da coleta vegetal, milhares de instrumentos lascados em pedra e seus refugos de produção, além das sepulturas dos moradores falecidos. As paredes dos abrigos estão cobertas por pinturas e gravuras, que não só identificavam os espaços ocupados, mas também os tornavam domésticos e habitáveis.
Um painel de pinturas
Na quase totalidade dos abrigos foram realizadas escavações cientificamente controladas. Um número grande de datas de C-14 sinalizam a mudança do tempo, do clima e da cultura registrados nas camadas.
A partir delas pode-se dividir a ocupação em três períodos bem distintos: o primeiro vai de 9.000 a 6.500 anos a.C. e se caracteriza como de caça generalizada; o segundo, de 6.500 a.C. até o começo de nossa era, continua sendo de caça generalizada, com aumento de coleta de moluscos terrestres e da pesca; o terceiro, a partir de 500 d.C. até a chegada do colonizador branco, acrescenta à caça e à coleta, o cultivo de plantas tropicais. Todos os sucessivos povoadores continuaram usando como sua moradia os mesmos abrigos rochosos.
Aspectos de uma escavação
O primeiro período é o mais importante para nosso tema porque mostra como se instalaram e como viveram os pioneiros no cerrado do planalto central.
A primeira constatação: eles ocupavam com bastante continuidade e intensidade o conjunto de abrigos, contradizendo a expectativa de que acampariam neles esporadicamente e a maior parte do tempo vagariam pelo território sem ponto de amarração. Certamente são populações compostas por poucas famílias, mas elas têm um lugar bem identificado por acidentes geográficos, pinturas e gravuras, no qual permanecem por muito tempo e ao qual voltam como a sua referência. Em outros lugares do planalto a permanência nos sítios é menor, ou porque não existem grandes coberturas rochosas que os abriguem, ou porque os recursos que buscam estão mais distribuídos no espaço. Nesses lugares o conceito de nomadismo parece mais aplicável.
Abrigo maior da área de Serranópolis
A segunda questão é a subsistência: nos abrigos de Serranópolis os restos de alimentos de origem animal e vegetal, que formam o lixo abandonado, são muito abundantes e bem conservados, permitindo perfeita identificação. Apesar de os grandes animais do tempo da última glaciação ainda estarem vivos e existirem na região, não há nenhum vestígio deles no lixo alimentar. O que existe são restos de animais de tamanho médio e pequeno, como veados, carnívoros variados, tatus, lagartos, tartarugas, cobras de todos os tamanhos e muitos ratos; também muitas cascas de ovos de ema. Ao lado dos muitos vestígios de fauna há restos de frutas do cerrado e instrumentos para os esmagar ou moer. Em outras áreas do planalto em que sítios arqueológicos da mesma natureza e do mesmo tempo foram estudados, os resultados são parecidos.
Os artefatos em pedra também não correspondem ao modelo norte-americano. Nas camadas há um número muito grande de instrumentos de pedra lascada e dezenas de milhares de lascas, fragmentos e núcleos resultantes da produção local de instrumentos. Estes são bem acabados, muitas vezes reciclados por causa de intenso uso, indicando, outra vez, estabilidade local. Os instrumentos mais característicos são raspadores em forma de quilha de barco, que os arqueólogos, por alguma semelhança com peças européias, chamam "lesmas" (limaces em francês). Seriam usadas para produzir os instrumentos de madeira, que não se conservaram. Mas pontas de dardos ou lanças, tão típicas no páleo-índio americano, são muito raras e, além disso, extraordinariamente rudimentares e ineficientes. Para apanhar os animais do cerrado seriam de pouca utilidade.
Instrumentos mais característicos do
primeiro período, as chamadas "lesmas"
Parece claro que a população aqui estabelecida fez uma adaptação à savana tropical, o cerrado e a caatinga, na qual existem muitos frutos grandes e nutritivos, especialmente no período das chuvas; e existem muitas espécies animais de tamanho médio e pequeno, que moram e são permanentes no lugar, sendo fáceis de apanhar em qualquer momento. Esta situação é muito diferente da observada nas estepes de áreas frias, nas quais existem manadas de grandes animais, que migram de um lugar para o outro, nas diversas estações do ano; estes rebanhos convidam o homem a migrar com eles e exigem que ele use armas eficientes porque a caça é agressiva e põe em risco a vida do caçador.
Em Serranópolis existem grandes espaços cobertos, excelente matéria-prima para fazer instrumentos de pedra e recursos alimentares concentrados por causa da confluência de matas densas, ricos cerrados e campos de altura, condições que permitiram uma prematura sedentarização, que não se observa da mesma forma em outras áreas do planalto.
Neste primeiro período, talvez a população não enterrasse os seus mortos, ao menos não os depositava nos abrigos em que vivia; por isso sua biologia e feições nos são desconhecidas.
Sepultamento da transição do primeiro para o segundo período
A partir de 6.500 anos a.C. nota-se uma mudança no clima e também na cultura. A partir deste momento há numerosos sepultamentos nos espaços ocupados, os instrumentos de pedra se tornam muito simples, meras lascas usadas sem maiores modificações; aumenta a pesca e a coleta de moluscos e diminuem os restos de frutos do cerrado. Se continua a mesma população ou é substituída por outra diferente não dá para ver, por inexistirem esqueletos para comparar. Este seria o momento em que uma população de feições negróides, como a Luzia, seria substituída, de acordo com a hipótese, por uma população mongolóide.
A partir de 500 anos de nossa era os mesmos abrigos são ocupados por outra população que continua caçando e apanhando os frutos do cerrado, aos quais acrescenta o cultivo de plantas tropicais, como o milho, a mandioca, o amendoim, as abóboras e cabaças. E para seu uso fabrica pequenas panelas de barro cozido.
O que podemos concluir do exposto é que as populações indígenas, que chegaram às savanas tropicais, se adaptaram a elas e nelas criaram suas próprias culturas e seu próprio modo de vida. Pensá-los dentro de um modelo norte-americano ou europeu seria desconhecer a criatividade que está atrás de cada cultura e subestimar a seriedade dos arqueólogos brasileiros.
Pedro Ignácio Schmitz é professor do Instituto Anchietano de Pesquisas/UNISINOS.

FONTE: Com Ciência Arqueologia e Sítios Arqueológicos
Quer saber mais?
  • Schmitz, Pedro Ignácio, Sales Barbosa, Altair, Jacobus, André Luiz & Ribeiro, Maira Barberi. Arqueologia nos cerrados do Brasil Central. Serranópolis I. Pesquisas, Antropologia 44. São Leopoldo, Instituto Anchietano de Pesquisas, 1989, 208 páginas.
  • Schmitz, Pedro Ignácio, SILVA, Fabíola Andréa & Beber, Marcus Vinicius. Arqueologia nos cerrados do Brasil Central. Serranópolis II. As pinturas e gravuras dos abrigos. São Leopoldo, Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos, 1997, 65 páginas de texto mais 96 páginas de figuras.
  • Schmitz, Pedro Ignácio, Rosa, André Osorio & Bitencourt, Ana Luisa Vietti. Arqueologia nos cerrados do Brasil Central. Serranópolis III. Pesquisas, Antropologia 60. São Leopoldo, Instituto Anchietano de Pesquisas, 2004, 288 páginas (a saír).
  • Schmitz, Pedro Ignácio. O povoamento do planalto central do Brasil. 11.000 a 8.500 anos A.P. Anais do 2º workshop arqueológico do Xingó. Max, UFS, 2002, p. 27-45.

HUMANOS PODEM TER "BÚSSOLA INTERNA", MOSTRA ESTUDO ( Ciência )

29/06/2011 - 10h02

Humanos podem ter 'bússola interna', mostra estudo


RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON
O mecanismo biológico de insetos que funciona como uma bússola pode existir também em pessoas. Um estudo sobre essa capacidade mostrou que uma proteína das células humanas é similar à do sistema de navegação das moscas-das-frutas.
O trabalho, realizado por biólogos da Universidade de Massachusetts, produziu insetos transgênicos para avaliar a hipótese. O experimento envolveu a implantação de um gene humano nas moscas para averiguar o seu papel.
A ideia veio do laboratório de Steven Reppert, que há oito anos estuda a capacidade de orientação espacial de borboletas-monarcas, insetos capazes de migrar do leste dos EUA para o México todo ano sem errar o caminho.
O biólogo suspeitava que as proteínas responsáveis pela façanha eram os criptocromos. A função principal delas é no relógio biológico que marca a duração do dia. Quatro anos atrás, conseguiu provar que estava certo, fazendo um experimento com moscas, animais mais práticos de manusear em laboratório.
TROCA-TROCA
"O que fizemos agora foi substituir a proteína de moscas pela proteína humana e avaliar se ela teria a mesma capacidade de atuar como receptor magnético. E ela tem", disse Reppert à Folha.
"Isso não significa que ela esteja exercendo esse mesmo papel em humanos, mas achamos que seria empolgante levantar a possibilidade de pessoas serem capazes de sentir campos magnéticos."
Teorias sobre magnetopercepção humana tiveram algum prestígio no início da década de 1980, quando o biólogo britânico Robin Baker publicou o livro "Navegação Humana e o Sexto Sentido".
A obra de título com apelo místico caiu no gosto dos adeptos da Nova Era, mas outros cientistas acabaram desistindo da ideia após tentarem replicar os experimentos de Baker sem sucesso.
Reppert cita o trabalho de Baker em seu último estudo na revista "Nature Communications", mas lança uma hipótese um pouco diferente. Para ele, caso a magnetopercepção exista em humanos, sua função não seria a de mostrar os pontos cardeais.
"Chamar esse mecanismo de bússola talvez seja um pouco de exagero", diz Reppert. "Uma bússola ajuda um animal a manter uma direção constante, como no caso das aves migratórias. O que estamos propondo é que o criptocromo teria mais a ver com o modo como humanos percebem o espaço."
Segundo o cientista, relacionar a magnetopercepção com a visão humana foi uma ideia natural, pois os criptocromos atuam na regulação do relógio biológico humano com auxílio da luz.
"A capacidade de sentir campos magnéticos já foi comprovada em diversos animais. Não existe nenhuma razão para descartar de antemão que ela exista em humanos", afirma Reppert.
O biólogo afirma que pretende continuar seus experimentos com moscas e borboletas, mas não planeja estudar humanos pessoalmente. "Se nossa abordagem estiver certa, porém, espero que nosso estudo estimule uma revisão dessa área de pesquisa." 

FONTE: Folha.com/Ciência