quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O QUE SÃO DESERTOS VERDES ? ( Curiosidades/Meio Ambiente )

Ambiente
Cristiano Mariz

floresta monocromática

O que são desertos verdes?

São grandes áreas cobertas por vegetação introduzida artificialmente pelo homem, seja por reflorestamentos com espécies não nativas, seja por plantações em larga escala


Noêmia Lopes
Bons Fluidos - 12/2012
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Os exemplos mais típicos de desertos verdes, de acordo com os ambientalistas, são as florestas plantadas pelas indústrias de papel e celulose (com eucaliptos e pínus) e as extensas lavouras de cana e soja. Não há uma extensão mínima para determinar um deserto verde, mas o que os ambientalistas defendem é que essas monoculturas deterioram o solo. Além do mais, esses ecossistemas não seriam capazes de sustentar uma comunidade de animais e outras formas de vida.

PAISAGEM MONÓTONA
Ecossistema formado por uma única espécie é mais pobre que um natural, mas pode ter benefícios

CORREDOR DA FLORESTA
Nas plantações em larga escala, como as de cana e soja, é comum serem utilizadas técnicas intensivas de manejo, como agroquímicos, que são capazes de esterilizar o solo e impedir a colonização por outras plantas e animais. Mesmo assim, esses desertos ainda podem funcionar como corredores entre florestas, permitindo o intercâmbio das espécies que nelas vivem

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TEMPO PARA REGENERAR Os desertos de pínus e eucaliptos (foto acima), criados, principalmente, pela indústria de papel e celulose, possuem um ciclo de vida extenso. Depois de plantados, têm de sete a 20 anos de vida até serem cortados, o que, de acordo com Vera Lex Engel, professora do Departamento de Recursos Naturais da Unesp, é tempo suficiente para a regeneração de espécies nativas e até a colonização por animais

CONSULTORIA Vera Lex Engel, professora do Departamento de Recursos Naturais da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu)

FONTE Revista Planeta Sustentável

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

BRASILEIROS ACHAM MUTAÇÃO QUE "TRANSFORMA" LEOPARDO EM PANTERA-NEGRA ( Artigo Científico )


01/01/2013 - 05h00

Brasileiros acham mutação que "transforma" leopardo em pantera-negra


REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE "CIÊNCIA+SAÚDE"

Um dos felinos mais bonitos da Terra acaba de ficar um pouco menos misterioso. Dois cientistas brasileiros, trabalhando com colegas dos EUA e da Rússia, identificaram a mutação que transforma leopardos "comuns" na célebre pantera-negra.
De quebra, os pesquisadores também flagraram a alteração genética responsável por produzir a versão negra de outro felino selvagem, o gato-dourado-asiático.
A descoberta está descrita na revista científica "PLoS ONE". Os autores brasileiros do estudo são Alexsandra Schneider e Eduardo Eizirik, ambos da PUC-RS (Eizirik também é ligado ao Instituto Pró-Carnívoros, em Atibaia, interior paulista).
Gary Whyte/Creative Commons
Pantera-negra, forma "morena" do leopardo, fotografada na África
Pantera-negra, forma "morena" do leopardo, fotografada na África
O biólogo da PUC gaúcha conhece como poucos a genética da pelagem dos felinos. Há quase dez anos, ele foi coautor do trabalho que identificou pela primeira vez as mutações que produzem versões pretas do gato doméstico, da onça-pintada e do jaguarundi (espécie que lembra uma versão miniatura da suçuarana, com a qual tem parentesco próximo).
Mas ainda havia (e há) um bocado de trabalho a fazer nessa área, já que as chamadas formas melânicas (ou seja, de pelagem preta) estão registradas para 13 espécies de felinos, sem falar em relatos não documentados sobre tigres negros, por exemplo.
"No caso dos tigres, as fotos que eu vi até hoje não mostram melanismo verdadeiro", contou Eizirik à Folha. "Está mais para variação na largura das listras."
Grosso modo, há dois jeitos principais de criar um felino negro, ambos envolvendo um receptor, ou fechadura química, conhecida como MC1R. É nessa fechadura que se encaixam as moléculas de um hormônio que estimula a produção da eumelanina, o pigmento da cor escura.
Por um lado, se o MC1R ficar hiperativo durante o desenvolvimento do animal, ele pode nascer melânico. Por outro, o receptor pode ser bloqueado por outra molécula, conhecida como ASIP, cuja ação leva à produção de um pigmento de cor clara. Se a ASIP for eliminada, portanto, o bicho também pode acabar ficando escuro.
Ora, o que o novo estudo mostrou, estudando 11 panteras-negras asiáticas, é que o DNA dos gatões tinha uma alteração de uma única "letra" química no gene que contém a receita para a produção da ASIP. Essa letrinha trocada é suficiente para atrapalhar a fabricação da proteína e inutilizá-la.
Resultado: leopardos de pelos pretos -mas só se os bichos carregarem duas cópias do gene alterado. Coisa semelhante, embora não idêntica, ocorre no caso do gato-dourado-asiático.
A questão agora é entender o papel evolutivo da mutação. Eizirik conta que, nas matas da península Malaia (que pega trechos de países como Malásia e Tailândia), as panteras-negras chegam a ser quase 100% da população de leopardos, enquanto são raras na África.

"Pode ser um resultado casual do isolamento dessa população, ou pode ser resultado da seleção natural", diz. Há quem acredite que a cor preta seja mais vantajosa em matas mais fechadas, mas isso ainda não foi confirmado.

FONTE:Folha.com/Ciência

15 EVENTOS QUE AMEAÇAM A HUMANIDADE ( Artigo científico ) "PARTE XIII"

Nanotecnologia

 
Causa: Tecnológica
Tipo: Global e terminal
Já aconteceu antes? Não

A nanotecnologia pode trazer grandes avanços para a humanidade. Pesquisadores da área prometem o desenvolvimento de robôs minúsculos, do tamanho de moléculas, capazes de se locomoverem livremente e atuarem em uma série de atividades. Nos anos 1980 e 1990, o engenheiro americano Eric Drexler previu as maravilhas que esses nanorobôs poderiam trazer para a qualidade de vida humana, da medicina à engenharia. Eles poderiam curar o câncer, limpar o meio ambiente, criar computadores avançadíssimos de tamanho reduzido e construir praticamente qualquer artefato pensado pelo homem. No entanto, em meio às promessas, Drexler levantou a possibilidade de a nanotecnologia fugir ao controle humano, começar a construir cópias cada vez mais numerosas dos nanorobôs e consumir o planeta inteiro em meio a uma enorme gosma cinzenta (grey goo, em inglês). Nesse processo, a raça humana seria inevitavelmente devorada.

Para acontecer, esse cenário precisa que os nanorobôs sejam replicadores, capazes de construir novas cópias tridimensionais de si mesmos. Desenvolver esse tipo de tecnologia seria mais fácil do que criar qualquer tipo de mecanismo de defesa para sua ação. Por isso, um acidente seria tão perigoso. Para impedir que um evento desses aconteça, foram sugeridas algumas salvaguardas, como impedir a construção de robôs replicadores ou fazer com que eles dependam de algum material raro para se reproduzir. 

No entanto, um acidente não é o único perigo trazido por essa tecnologia. Ela poderia ser desenvolvida já com a intenção de ser usada como arma – e essas salvaguardas não seriam seguidas. Terroristas com essa tecnologia em mãos poderiam causar a extinção de toda a vida na Terra. Também foi levantada a possibilidade de o desenvolvimento de armas nanotecnológicas levarem a uma nova corrida armamentista. 

Nos anos 2000, Drexler revelou ter se arrependido de tornar pública uma visão tão catastrófica, mas seu alerta serviu para que grupos como a Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos e a Academia Real de Engenharia do Reino Unido se reunissem para discutir os riscos da nanotecnologia. A maioria dos cientistas concordou que o cenário da gosma cinzenta é altamente improvável — nanorobôs capazes disso não seriam energeticamente viáveis. Mesmo assim, eles clamaram por uma regulação internacional estrita para o desenvolvimento da nanotecnologia. 

Em 2002, cientistas de todo o mundo se reuniram para formar o Centro para a Nanotecnologia Responsável, que se dedica a estudar os efeitos dessa tecnologia e traçar planos para um desenvolvimento responsável desses nanorobôs. Entre outras medidas, eles propuseram que eles possuam sistemas de segurança para impedir que sejam invadidos, que precisem de uma autorização para cada produto que forem construir e que não possam funcionar de modo completamente autônomo. A intenção é que nanotecnologia seja capar de ajudar a humanidade, e não acabar com ela.
 
FONTE: Revista Veja/Ciência

CONSUMO DE TIPO DE AÇUCAR PODE AUMENTAR FOME ( Saúde )

02/01/2013 - 04h57

REINALDO JOSÉ LOPES EDITOR DE "CIÊNCIA+SAÚDE"
Um tipo de açúcar muito usado pela indústria de alimentos parece estimular ligeiramente as áreas do cérebro ligadas à vontade de comer, em vez de sinalizar que já é hora de diminuir a ingestão de calorias, indica uma nova pesquisa.
Se o resultado estiver correto, fica mais forte a ideia de que parte importante da culpa pela atual epidemia de obesidade mundial seria do uso indiscriminado de frutose, molécula que está presente nos sucos de fruta, no xarope de milho e em muitos outros produtos da indústria alimentícia, principalmente da americana.
A nova pesquisa, publicada no "Jama", periódico da Associação Médica Americana, foi coordenada por Robert Sherwin, da Universidade Yale (EUA), e tem como coautora a médica brasileira Renata Belfort-DeAguiar.
Num experimento bastante simples, a equipe submeteu um grupo de 20 adultos sadios (metade homens e metade mulheres), com idade média de 31 anos, a duas sessões de ressonância magnética funcional.
Primeiro, a atividade cerebral dos voluntários era medida sem intervenção nenhuma, para ter uma ideia de seu estado "normal" durante o jejum (as pessoas chegavam ao laboratório às 8h, ainda sem tomar café da manhã).
Depois, cada participante recebia 300 ml de uma bebida adocicada. A diferença é que, em metade dos casos, a bebida continha 75 gramas (ou 300 calorias) do açúcar glicose, enquanto nos outros casos o "adoçante" usado tinha sido a frutose, na mesma proporção.
Já há várias pistas de que a frutose atua de forma diferenciada sobre o organismo. Bem mais doce do que a glicose, a molécula estimula apenas ligeiramente a produção de insulina, hormônio que, além de coordenar o metabolismo de açúcar, também ajuda o organismo a entender quando já comeu o suficiente. O mesmo parece valer para outros hormônios e moléculas sinalizadoras ligadas à sensação de saciedade.
Ao analisar o cérebro dos voluntários durante a nova pesquisa, os cientistas de Yale prestaram atenção especial ao hipotálamo, região cerebral especialmente ligada ao controle do apetite. E o que eles viram parece dar peso ao suposto papel de vilão da frutose no aumento de peso.
DIFERENÇAS
Cerca de 15 minutos após a ingestão das bebidas doces, por exemplo, quem bebeu glicose teve uma redução significativa da atividade do hipotálamo (medida pelo fluxo sanguíneo nessa região do cérebro)- era como se o sinal de "estou com fome" tivesse diminuído.
Já a ingestão de frutose nem fez cócegas no hipotálamo, ao menos nesse primeiro momento. Aliás, o que os pesquisadores observaram foi um aumento pequeno e passageiro da atividade dessa área cerebral.
A reação das regiões do órgão que estão mais conectadas ao hipotálamo em seu papel de regulador do apetite também variou consideravelmente na comparação entre bebedores de glicose e bebedores de frutose.
O resultado parece ser favorável à ideia de que é preciso reduzir o teor de frutose nos alimentos industrializados- esse açúcar é muito usado para melhorar o sabor da comida, em especial em países como os EUA.
Os pesquisadores alertam, no entanto, que mais estudos são necessários para determinar com precisão as implicações clínicas dos achados. 

FONTE: Folha.com/Ciência

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

ÍNDIA PUBLICARÁ NOMES, FOTOS E ENDEREÇOS DE ESTUPRADORES NA INTERNET ( Notícias/Mundo )



DA BBC BRASIL

O governo indiano deve passar a publicar nomes, fotos e endereços de homens condenados por estupro para envergonhá-los publicamente em uma nova campanha para tentar conter este tipo de crime, informou o vice-ministro do Interior, Ratanjit Pratap Narain Singh.
O anúncio chega 11 dias após o estupro coletivo de uma estudante de medicina de 23 anos dentro de um ônibus em Nova Déli, conhecida como "capital do estupro".
A jovem foi violentada durante uma hora por diversos homens e depois ela e um amigo foram espancados com barras de ferro e expulsos do ônibus nus.
"Nós estamos planejando começar [a campanha] em Déli", disse Singh horas após o primeiro-ministro Manmohan Singh ter declarado que as mulheres estavam sendo tratadas de forma injusta na Índia.
"Fotografias, nomes e endereços dos estupradores serão divulgados no site da polícia de Déli. Estamos firmes na intenção de lidar com o problema e tomar todas as ações possíveis o quanto antes", acrescentou o vice-ministro.
Singh disse que o Departamento Nacional de Registros Criminais recebeu a ordem de preparar uma lista contendo todos os dados pessoais de estupradores condenados para que também seja divulgada em seu site oficial.
O governo também prometeu endurecer as leis contra o estupro, crime que atualmente tem pena máxima prevista de dez anos de prisão no país.
Os anúncios chegaram em meio à retomada dos protestos na capital indiana. Muitos dos manifestantes passaram a exigir a renúncia do chefe de polícia de Déli, Neeraj Kumar.
Na quarta-feira, o ministro das Finanças indiano, P Chidambaram, anunciou que o juiz aposentado Usha Mehra deverá "identificar as falhas" das autoridades e "determinar as responsabilidades".
Até o momento seis pessoas já foram presas, incluindo o motorista do ônibus em que o crime ocorreu.
Confrontos durante as manifestações deixaram ao menos um policial foi morto e mais de cem pessoas ficaram feridas.
TRANSFERÊNCIA
A jovem estudante de medicina vítima do estupro que serviu com estopim para a crise no país foi transferida nesta quarta-feira para a Cingapura, onde receberá tratamento e possivelmente passará por transplantes de órgãos.
Após dez dias de internação na capital da Índia, quando passou por três cirurgias, a garota se dirige agora para um hospital especializado do país do sudeste asiático.
Segundo o médico indiano B.D. Athani, ela será tratada no hospital Mount Elizabeth, que possui "instalações para transplantes múltiplos de última geração".
A jovem, que foi estuprada no último dia 16 de dezembro, permanece respirando sob ajuda de aparelhos e é considerada uma paciente em estado grave. Athani disse que entre os principais problemas que ela enfrenta estão ferimentos muito graves nos intestinos.
O médico acrescentou que a família da estudante a acompanha rumo à Cingapura, já que o tratamento pode ser longo.
De acordo com o governo, os objetivos do inquérito serão "identificar as falhas, se houver, da parte da polícia, ou autoridade ou indivíduo que tenham contribuído para a ocorrência, e determinar responsabilidades por essas falhas ou atos de negligência".
Até agora somente dois policiais foram suspensos em meio aos reflexos do caso.
IMPUNIDADE
Somente neste ano, mais de 630 casos de estupro já foram registrados em Nova Déli, conhecida no país como "capital do estupro".
De tempos em tempos, casos como este mobilizam a opinião pública e ganham espaço em programas de TV, jornais, revistas, além de virarem tema de protestos e discursos de políticos. Mas pouco depois o nível de atenção é reduzido e o ciclo de violência e impunidade continua, dizem analistas.
E um sistema judiciário ineficiente aliado a uma polícia conivente e negligente não parecem ajudar as vítimas, avaliam analistas.
"A violência e os abusos de mulheres são grandes problemas em Déli e no norte da Índia. Uma mentalidade fortemente patriarcal, uma cultura de impunidade entre o poder, um desdém generalizado pela lei, uma força policial em grande parte insensível e uma crescente população de imigrantes sem raízes e ilegais são alguns dos fatores desde cenário. Mas deve haver muitos outros", diz o correspondente da BBC na capital indiana, Soutikl Biswas.
"Se você for mulher --a não ser que seja muito rica e privilegiada-- há mais chances de enfrentar humilhação e indignidade aqui", acrescenta.

FONTE: Folha.com/BBC Brasil

CIENTISTAS USAM RADIAÇÃO PARA ACELERAR PRODUÇÃO DE CACHAÇA ( Artigo Científico )


31/12/2012 - 05h00

Cientistas usam radiação para acelerar produção de cachaça


GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO

Pesquisadores brasileiros deram um jeito de "turbinar" a fabricação da cachaça ao eliminar sua etapa mais demorada: o envelhecimento em barris de madeira, que pode levar mais de três anos. Usando radiação gama, cientistas da USP criaram um "envelhecimento" similar e que só leva poucos minutos.
O método ainda é restrito aos laboratórios, mas os cientistas acreditam que ele possa ser usado para acelerar a produção de aguardente e talvez até diminuir seu custo.
A fabricação é a mesma. A diferença é que, depois de destilada, em vez de ir para os barris envelhecer, a cachaça já é engarrafada.
Editoria de Arte/Folhapress
Os recipientes com a pinga passam então por um aparelho chamado irradiador. Lá, as garrafas são atingidas por raios gama. Essa radiação ioniza os átomos da cachaça e desencadeia as reações químicas, que aconteceriam de maneira bem mais lenta pelo método tradicional com a madeira.
Nesse ponto, há mudanças na acidez, no teor alcoólico e em vários outros aspectos da aguardente.
SEGURANÇA
A quantidade de radiação, de 0,3 quilogray por dose, é considerada baixa pelos físicos, mas equivale à exposição de um indivíduo a aproximadamente 10 mil tomografias computadorizadas.
Ainda assim, o coordenador do projeto diz que não há risco de contaminação da cachaça irradiada.

"Isso não acontece. A bebida pode ser consumida logo depois. O problema é que muita gente confunde irradiação com contaminação", explica Valter Arthur, do Laboratório de Radiobiologia e Meio Ambiente do Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura) da USP.
Um inconveniente do método é que, ao contrário dos barris, a irradiação não altera as cores do líquido, que permanece transparente.
"E tem muita gente que faz questão da coloração amarelada", relata Arthur.
Para contornar o problema, os pesquisadores criaram uma espécie de repouso "estético". Eles deixaram a bebida cerca de seis meses em barris de amendoim apenas para "pegar a cor" desejada.
Os pesquisadores estão trabalhando também com a adição de essências e outros elementos para incrementar ainda mais a bebida e suas possibilidades de coloração. Já foram testados, entre outros, urucum e ipê.
Para a técnica chegar à indústria, no entanto, é preciso investimento alto. Um irradiador custa em média US$ 3,5 milhões. Por isso, segundo Arthur, o mais provável seria a criação de centros que poderiam irradiar a cachaça para vários fabricantes.
AVALIAÇÃO
A equipe do projeto também diz que praticamente não há diferença no gosto da bebida. Em um teste com 40 estudantes da USP, eles não detectaram diferenças aparentes entre a cachaça tradicional e a "radioativa".
O sommelier de cachaça Jairo Martins, no entanto, discorda. "Essa cachaça ainda tem de melhorar. A acidez ainda está muito forte."
Especialista no assunto e criador do site "O Cachacista", Martins provou uma amostra da aguardente irradiada a convite da Folha.
"Não substitui o envelhecimento em barril. Pode acelerar o processo, mas somem todas as peculiaridades que a madeira proporciona", diz.
"Todo estudo sobre a cachaça é válido, mas acho que nós temos questões mais urgentes para resolver, como o preconceito com a própria bebida, que ainda é associado a uma ideia de pobreza e baixa qualidade, e até o fato de que boa parte da cachaça feita no Brasil não tem registro no Ministério da Agricultura e pode oferecer riscos à saúde de quem bebe."
Para ele, um outro inconveniente para a bebida desenvolvida pela USP é a confusão que a radiação ainda provoca na cabeça do público.
"Explicar que a cachaça é segura seria um desafio grande, certamente haveria preconceito com a bebida", diz.
De acordo com Martins, uma boa dica para quem se depara com cachaças muito ácidas é deixar a garrafa na geladeira por um tempo.
"Cachaça tem de ter acidez, é claro. Você não vai perder isso. Mas a temperatura mas baixa ajuda a suavizar", explica ele, que ressalta, no entanto, que as cachaças envelhecidas em barril não devem ser bebidas geladas.
Mas, nos casos que nem a geladeira consegue salvar a aguardente, o jeito pode ser a mais consagrada das soluções, sugere o cachacista: "Uma caipirinha"

FONTE: Folha.com/Ciência

15 EVENTOS QUE AMEAÇAM A HUMANIDADE ( Artigo Científico ) "PARTE XII"

Fim da água

 
Causa: Humana
Tipo: Global e tolerável
Já aconteceu antes? Não
 
A importância da água para a sobrevivência humana é indiscutível. Além de matar a sede, ela é usada em uma série de atividades essenciais, como a agricultura, a indústria e a higiene. Embora mais de dois terços do planeta sejam cobertos por água, menos de 0,01% dessa quantidade está diretamente disponível para consumo humano. Levando em conta a importância desse recurso e sua raridade, se torna preocupante o fato de a humanidade estar contribuindo, cada vez mais, para sua escassez. 
 
Ao contrário da produção de alimentos, é impossível aumentar a quantidade de água potável no mundo. A quantidade de água disponível hoje é basicamente a mesma que existia quando o homem surgiu, embora sua população tenha aumentado exponencialmente nos últimos séculos. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a pressão da humanidade sobre as fontes de água é cada vez maior, e pode ameaçar a própria espécie. No ultimo século, o consumo de água cresceu em uma velocidade duas vezes maior do que o crescimento da população.
 
A pressão populacional é agravada pelo alto desperdício no uso do recurso. Nos Estados Unidos e Europa, cada pessoa consome diariamente entre 200 e 600 litros de água. Ao mesmo tempo, um em cada cinco habitantes de países subdesenvolvidos possui menos de 20 litros para seu consumo diário – o mínimo recomendado pela ONU. A escassez é piorada pela crescente urbanização, que degrada e polui as fontes de poucas fontes de água localizadas próximas às cidades. 
 
Uma crise que leve à falta generalizada de água pode afetar diretamente a alimentação humana. Pelo menos 40% das plantações dependem da irrigação, e a atividade é responsável por 70% do consumo humano de água. Para piorar, até 2030 o uso de água na irrigação deve subir 14%. 
 
Somando todos esses fatores, a FAO prevê que até 2025 pelo menos 1,8 milhão de pessoas vai estar vivendo em regiões com falta absoluta de água, e dois terços da humanidade vão sofrer de algum modo com a escassez do recurso. 
Existem algumas soluções, no entanto, que podem ajudar a aliviar o problema. Cientistas reunidos na Semana Mundial da Água, realizada em agosto em Estocolmo, propuseram uma série de iniciativas para garantir que haja água disponível para consumo humano até 2050. Entre as ações propostas, estavam a criação e adoção de procedimentos mais eficientes de irrigação e distribuição de água, novos sistemas de alertas e legislação, diminuição de três quartos no consumo atual de carne, atenção ao uso de substâncias que possam poluir as fontes naturais e o desenvolvimento de novas técnicas de reuso.
FONTE: Revista Veja/Ciência