10/12/2012
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05h20
Cidades russas entram em pânico com aproximação do "fim do mundo"
ELLEN BARRY
DO "NEW YORK TIMES"
DO "NEW YORK TIMES"

Afirmações semelhantes têm sido feitas pelo médico que chefia a saúde
pública da Rússia, uma alta autoridade da Igreja Ortodoxa Russa, pelos
legisladores da Duma e por um ex-DJ da Sibéria que recentemente se
destacou no programa de televisão "Batalha de Médiuns". Outra autoridade
propôs a abertura de processos contra russos que espalharem o boato.
A Rússia não é o único país que enfrenta o pânico causado pelo suposto
fim do mundo. Na França, as autoridades pretendem vetar o acesso à
montanha Bugarach, no sul, para evitar uma multidão de visitantes que
acredita que esse lugar é sagrado e protegerá uns poucos escolhidos
contra o fim do mundo.
O patriarca da Igreja Ortodoxa da Ucrânia recentemente emitiu um
comunicado assegurando aos fiéis que "o Dia do Juízo Final certamente
virá", mas será causado pelo declínio moral da humanidade, não pelo
"chamado alinhamento de planetas ou o fim do calendário maia".
Por sua vez, o Estado de Yucatán, no México, que tem uma grande
população maia, encara com leveza o boato sobre o fim do mundo. O
governo planeja um festival maia em 21 de dezembro e, para mostrar que
tudo continuará bem após essa data, uma nova edição do festival está
programada para 2013.
Os russos se deixam levar muito pelas emoções, conforme testemunhou o
reverendo Tikhon Irshenko durante sua visita à Colônia Penal n° 10 na
aldeia de Gornoye. Os guardas disseram que a profecia maia aumentou
muito a ansiedade geral e que alguns presos fugiram da colônia "devido a
seus pensamentos perturbadores".
Ainda mais comuns na Rússia são relatos sobre compras movidas pelo
pânico. Em Ulan-Ude, capital da região de Buriátia, cidadãos estão
fazendo estoques de alimentos e velas para sobreviver em um período sem
luz, seguindo instruções de um monge tibetano chamado Oráculo de
Shambhala, que foi descrito em alguns noticiários da televisão russa.
Houve um relato semelhante em um jornal local da cidade industrial de
Omutninsk, a cerca de 1.100 quilômetros a leste de Moscou.
Viktoria Ushakova, a editora-chefe do jornal, disse que publicou o
artigo como mero entretenimento na seção "Relax", publicada na última
página. Isso causou pânico durante uma semana, o qual se espalhou pelas
aldeias no entorno.
"Não devemos falar sem parar sobre o fim do mundo, e eu digo isso como
médico", disse Leonid Ogul, membro do comitê de Meio Ambiente do
Parlamento. "Algumas pessoas têm ataques cardíacos e outras partem para
ações negativas."
Maria Eismont, colunista do jornal "Vedomosti", argumentou que a guinada
recente do governo para o conservadorismo religioso arcaico abriu o
caminho para as ideias apocalípticas. Ela observou que, no julgamento
por blasfêmia contra a banda punk Pussy Riot, no verão passado, as
jovens da banda foram condenadas com base, entre outros aspectos, em
pareceres de clérigos ortodoxos dos séculos 4° e 7°.
"É injusto considerar Omutninsk um local marcado pelo misticismo
florescente", escreveu. "Se cossacos em trajes operísticos marcham no
centro de Moscou e a Duma está cogitando seriamente impor punições pela
violação dos sentimentos dos crentes, então por que as pessoas não
deveriam comprar fósforos por temer labaredas cósmicas?"
FONTE: Folha.com/Mundo
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