14/09/2011
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17h28
Líbia poupa tesouros arqueológicos e espera por turistas
ANDREW BEATTY
DA FRANCE PRESSE, EM SABRATHA
DA FRANCE PRESSE, EM SABRATHA
Os arqueólogos líbios começam a inspecionar os tesouros arqueológicos do
país --alguns deles bem perto de locais marcados por combates entre os
rebeldes e as tropas do coronel Muammar Gaddafi, agora foragido.
"É a primeira vez que pude retornar a este sítio arqueológico desde o
fim dos conflitos. As tropas de Gaddafi estavam bem ali e não sei bem o
que aconteceu", comentou Fadel Ali Mohammed, 62, que acaba de ser
nomeado ministro das Antiguidades do novo governo líbio. Ele falou
diretamente de Sabratha, um desses locais mais famosos, a oeste de
Trípoli.
France Presse-6.set.2011 | ||
Vista do Mausoléu Púnico, em Sabratha, enquanto arqueólogos líbios inspecionam sítios históricos do país |
Gasta-se menos de 90 minutos para seguir da capital a esta localidade, e
este professor de arqueologia e de filolofia grega não escondia a
preocupação.
Na medida em que o carro se aproximava de Sabratha, no entanto, os primeiros sinais não eram desencorajantes.
Um conjunto residencial na entrada do sítio, incluído no patrimônio
mundial pela Unesco, foi alvo de tiros de artilharia. Depois, pouco a
pouco, começam a aparecer colunas coríntias e, em seguida, a cúpula do
famoso teatro antigo, construído entre o segundo e o terceiro séculos
d.C.; perto, colunatas destacam-se bem junto ao litoral, numa paisagem
que tem como fundo um mar muito azul.
Uma equipe de segurança permaneceu no local durante os combates e as
primeiras informações não são más. Apenas os combates com armas leves
chegaram perto das ruínas.
Fadel Ali Mohammed, que passou um ano nos cárceres de Gaddafi há cerca
de 40 anos, fugindo, depois, para a Grécia, percorreu a parte ocidental
do teatro descobrindo três impactos de bala que poderão ser facilmente
reparados.
As primeiras informações dizem respeito a outros sítios famosos como
Leptis Magna e Cyrene, também positivas. Com três dos cinco sítios
inscritos no Patrimônio da Humanidade preservados dos combates, as novas
autoridades líbias esperam poder usá-las como atração para o
desenvolvimento do turismo, como acontece nos vizinhos Egito e na
Tunísia.
DIFICULDADE TURÍSTICA
"Era muito difícil para os turistas vir durante o regime de Kadhafi",
recordou-se Hadi Mafuz, um funcionário da agência de turismo de
Sabratha. "Se Gaddafi tivesse um problema com um país europeu, ele
congelava os vistos para todos os cidadãos de lá. Se um de seus filhos
hospedava-se num hotel, todas as outras reservas eram canceladas",
contou ele.
Se estes sítios foram poupados, o fato deve-se, principalmente, à
dedicação de seus guardiães. Por exemplo, Ibrahim Hamad Saleh
El-Zintani, 46, ficou dia e noite durante 13 dias, por ocasião do
Ramadã, o mês de jejum muçulmano, no "Castelo Vermelho" de Trípoli para
defendê-lo das pilhagens. Ergueu barricadas feitas de andaimes e rochas
contra as portas, construídas pelos romanos e usadas, depois, pelos
Cavaleiros de Malta.
"Tivemos muitos problemas com pessoas que tentavam entrar no museu para roubar peças, mas conseguimos impedi-las", afirmou ele.
"Jovens da cidade me ajudaram. Trouxeram água para mim, além de tâmaras e
sopa quente", contou este pai de seis filhos. Um vizinho levou dinheiro
para sua família para que ela pudesse participar das comemorações do
Ramadã.
Antes mesmo da queda do regime de Gaddafi, as mais belas peças do museu
foram escondidas atrás de uma falsa parede, numa das alas da construção,
na esperança de enganar eventuais saqueadores.
FONTE: Folha.com/Turismo
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